domingo, 27 de julho de 2014

Mulheres saudáveis dão à luz bebês de tamanho semelhante


O crescimento dos bebês no útero materno e o tamanho deles ao nascer são semelhantes em todo o mundo – desde que sejam filhos de mães saudáveis, bem nutridas e com nível de educação adequado. Essa é a conclusão do Intergrowth-21s, um estudo internacional que acompanhou a gestação de quase 60 mil crianças em oito países: Brasil, China, Índia, Itália, Quênia, Omã, Grã-Bretanha e Estados Unidos.
O trabalho mostra que, ao contrário do que se pensava anteriormente, fatores como raça e etnia não são os principais responsáveis pela disparidade que há entre o tamanho dos recém-nascidos ao redor do mundo. Na verdade, a pesquisa revela que os maiores determinantes são as condições de saúde, de nutrição e os níveis de escolaridade da mãe, além dos cuidados que ela recebe ao longo da gravidez.
Segundo os pesquisadores, esses dados são relevantes, pois o crescimento fetal e o tamanho do recém-nascido têm consequências a longo prazo na saúde da criança. Portanto, entender o que determina essa característica pode ajudar a prevenir, por exemplo, que bebês nasçam com baixo peso.
O estudo, conduzido na Universidade Oxford, Grã-Bretanha, realizou ultrassons em gestantes e calcularam o crescimento ósseo dos fetos durante toda a gravidez. Além disso, mediram o tamanho dos recém-nascidos, levando em consideração o comprimento deles e a circunferência de suas cabeças ao nascer.
Influência — Segundo os resultados, quando as grávidas possuem condições adequadas de saúde, nutrição e educação, seus bebês têm as mesmas chances de se desenvolver de forma apropriada e usufruir de boa saúde ao longo da vida – independentemente de outros fatores, como etnia, raça ou país de origem.
Ainda de acordo com o estudo, as características particulares da população de cada um dos países analisados contribuíram com somente 4% da diferença no tamanho dos recém-nascidos.
“Atualmente, nós não temos uma igualdade no mundo em relação ao nascimento dos bebês. Mas podemos ter”, diz José Villar, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade Oxford e coordenador do estudo. “Não nos diga que nada pode ser feito. Não diga que, em algumas partes do mundo, as crianças nascem pequenas pois são predestinadas a serem assim. Isso simplesmente não é verdade.”
A pesquisa, publicada nesta segunda-feira na revista The Lancet, Diabetes & Endocrinology, foi financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates. Segundo os autores, o objetivo do Intergrowth-21 é desenvolver um padrão internacional de crescimento ideal do feto. Atualmente, não existe uma diretriz como essa, e um recém-nascido considerado como tendo baixo peso em uma região pode ser taxado como saudável em outra.
 Fonte: Veja

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Chegada prematura de bebês está relacionada a doenças como hipertensão

O nascimento de bebês antes do tempo mínimo de 37 semanas pode causar complicações neurológicas e visuais

“Na contramão do mundo, aprendi a contar o sucesso em pequenas medidas: centímetros, gramas e mililitros.” O relato comovente de Mariana Rosa, 37 anos, mãe da pequena Alice, hoje com 10 meses, descreve as conquistas diárias de um bebê que nasceu com 29 semanas – o equivalente a sete meses de gestação – 31cm e 900g. Assim como Alice, milhares de crianças vêm ao mundo antes de completar o período gestacional mínimo de 37 semana. Elas representam 11,3% de todos os partos realizados no Brasil, índice 60% maior que o registrado na Inglaterra e no País de Gales, por exemplo. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, em 2012, 245 mil crianças nasceram antes do esperado, número que já foi de 109 mil em 2000.
As causas do parto pré-termo ou prematuro estão relacionadas principalmente a doenças maternas, como hipertensão, diabetes, infecção uterina e urinária, descolamento prematuro da placenta, entre outras. Mas a situação também pode ser motivada por patologias congênitas do bebê, como as respiratórias e cardíacas, e até por gestação múltipla, quando a mulher gera mais de um bebê. “Por isso, é de suma importância fazer um pré-natal adequado, com consultas de rotina, já que existem vários métodos para diagnosticar, tratar e prevenir complicações. Desde que o bebê não corra risco intrauterino, o que se faz é tentar postergar ao máximo o nascimento”, explica a coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica (UTIP) do Hospital Mater Dei de Belo Horizonte, Wania Calil Nicoliello. O Ministério da Saúde indica que sejam realizadas, no mínimo, sete consultas ao longo da gestação.
As cesarianas agendadas também estariam entre as causas da prematuridade. “Isso porque o ultrassom que indica a idade gestacional tem uma margem de erro de 15 dias para mais ou para menos. Com isso, 38 semanas podem ser, na verdade, 36”, explica a pediatra Fabíola Coelho, do Hospital Sofia Felman. Levantamento inédito realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou que 35% dos partos ocorrem com 37 a 38 semanas gestacionais. Embora não sejam considerados prematuros, são bebês que poderiam ganhar mais peso e maturidade se tivessem a chance de chegar a 39 semanas. “A epidemia de nascidos com 37 ou 38 semanas no Brasil é, em parte, explicada pelo número elevado de cesarianas agendadas antes do início do trabalho de parto, especialmente no setor privado”, alerta o estudo.
Bibliografia: http://www.febrasgo.org.br/site/?p=9221